| Historial |
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A antiga freguesia de S. João Baptista de Longos Vales era vigairaria da
apresentação do colégio da Companhia de Jesus, em Coimbra, e depois da
Universidade, no termo de Monção. Passou mais tarde a reitoria. Segundo Pinho
Leal, o padroeiro apresentava um vigário que tinha cem mil reais de rendimento.
Dentro dos seus limites existem duas citânias: uma no antigo lugar da Cividade,
em frente à antiga estrada romana Valadares – Arcos-Braga, e a outra no monte de
S. Caetano. O seu nome – que também foi Longovales – poderá derivar de este ser
um território de Aqui houve, de facto um mosteiro de frades crúzios, fundado, segundo a tradição, por D. Afonso Henriques, em 1140, que lhe concedeu muitas rendas e privilégios, que os seus sucessores aumentaram. D. Sancho I (estando na cidade do Porto) coutou o mosteiro em 1197. Na carta de encoutamento diz que “lhe fez esta mercê pelo assinalado serviço que o prior D. Pedro Pires lhe fez em fundar à sua custa a torre e fortaleza da vila de Melgaço”.Com o tempo passou o cenóbio para o poder de comendatário, sendo o último D. Duarte, filho bastardo de D. João III, que morreu com 22 anos, em 11 de Novembro de 1542. O cardeal D. Henrique (depois rei) fez com que este mosteiro, dependências e rendas fossem dadas aos Jesuítas, por bula do papa Júlio II, em 1551. A igreja, com o seu corpo reformado no século XVII, conserva a primitiva capela-mor românica, uma das mais personalizadas construções deste estilo em Portugal… uma arquitectura potente, de forte arcada e grossas colunas, adossadas, enriquecida por variada e volumosa decoração tanto interno como externamente. Nos seus capitéis e na cachorrada, cheios de escultura, dominam os temas humanos e animalescos, como o Sagitário, o de bichas-mouras, o da cabeça de touro ou de animais lutando. Sobre um colunelo do arco-cruzeiro está esculpida a imagem de S. Pedro com a chave dependurada sobre o peito. |